Conheça o trabalho da ONG Deficiente Eficiente

“Sem acessibilidade e mobilidade não há inclusão de verdade”, é com esse lema que Felipe Gervásio, presidente da ONG Deficiente Eficiente começou a entrevista com o Pernambuco Inclusivo. Felipe largou a profissão de assistente comercial de tecnologia da informação (TI) e atualmente dedica-se integralmente a ONG, que há três anos, atende pessoas com deficiência do estado de Pernambuco. Com uma equipe de cinco pessoas – todos voluntários – a ONG procura solucionar os problemas que as pessoas com deficiência enfrentam no dia a dia.

Morador de Jaboatão dos Guararapes, no bairro de Cavaleiro, Felipe é deficiente físico e usuário de cadeira de rodas.  Suas vivências, seus confrontos constantes com a falta de acessibilidade estrutural da cidade, são o que o fortalece a sua luta. Ninguém melhor do que uma pessoa com deficiência para levantar a bandeira dos direitos e necessidades que conhece profundamente.  Felipe não tem carro e depende do transporte coletivo, sai disputando as ruas com carros, enfrentando o transporte coletivo para participar de audiências, representar os associados da ONG e torcendo, em seu intimo, que a ONG receba apoio para que possa ampliar o trabalho e ter estrutura para trabalhar melhor.

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Confira como foi o bate-papo:

Lei Brasileira de Inclusão: Para Felipe Gervásio, há falta de regulamentação da Lei Brasileira de Inclusão. Ela afirma que ela é legítima, mas que não é aplicada. “Não há uma supervisão para saber se a Lei é de fato cumprida. Na prática, nós sabemos que não é. Nós não queremos inventar a roda. Queremos que ela funcione”, ressaltou.

Arquitetura das cidades: Quando perguntamos sobre uma as barreiras arquitetônicas, Felipe afirma que as pessoas com deficiência acabam não tendo direito ao lazer e nem a cultura. “Nossos prédios antigos não são acessíveis. Como podemos ir ao teatro ou ao museu? Não há mobilidade para nós e quando há, acontece apenas nos finais de semana, em eventos distintos e com hora marcada”.

Acessibilidade atitudinal: O presidente da ONG indaga que a principal dificuldade que as pessoas com deficiência enfrentam é a falta de empatia da sociedade geral.  “Sofremos com a falta de acessibilidade atitudinal das pessoas, esta ainda é a principal barreira”, revelou.

Para combater esse tipo de preconceito, a ONG visita escolas e instituições de ensino de Pernambuco para conscientizar as pessoas sobre a importância da empatia e o quanto a discriminação faz mal a quem precisa de inclusão.  “Fazemos rodas de diálogo, palestras e capacitação”.

Mercado de trabalho: “Existem muitas vagas ociosas, mas existem vários problemas: há uma grande dificuldade no acesso a elas, na maioria das vezes são subempregos com salários no piso mínimo e principalmente, existem as barreiras no ambiente de trabalho. É preciso que o contratante empregue esforços para a permanência da PcD no ambiente de trabalho , para isto, é preciso que se aplique a acessibilidade instrumental,  usar de tecnologias assistivas, ter um atitudinal inclusivo com uma visão que não seja puramente assistencialista. Entender que aquela pessoa, apesar da sua deficiência, tem muitas qualidades em potencial e pode ser realmente útil naquele ambiente de trabalho. Mas isso é um processo que exige esforço bilateral. Deveria existir investimento nisso, como por exemplo, adotar alternativas como contratar pessoas para trabalhar em home office. Facilita muito para quem tem dificuldade de locomoção”.

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Serviço:

ONG Deficiente Eficiente

Facebook.com/deficienteeeficiente

Telefone: (81) 97906-8043

E-mail: deficiente_eficiente@hotmail.com

Blog: http://www.deficienteeficiente.org