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Por que lutar por um Pernambuco inclusivo?

Por Terezinha Nunes

 
 
 
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De acordo com Censo do IBGE do ano de 2010, o Brasil possuía cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, correspondendo, naquela época, a 23,9% da população. Em Pernambuco, 27% dos pernambucanos tem algum tipo de deficiência.

Esse número, que deve ser multiplicado por três, pois cada pessoa com deficiência envolve pelo menos mais dois entes de sua família (pai, mãe ou parente). Dessa forma, podemos enxergar um número aproximado da população interessada na temática inclusão social. No Brasil, 13 milhões de pessoas possuem algum tipo de doença rara. São mais de oito mil patologias raras listadas na literatura médica.

Em Pernambuco, são mais de dois milhões de pessoas com deficiência. Mas, onde estão essas pessoas? São, ainda, invisíveis e vivem à margem da sociedade. A matéria inclusiva é urgente. É uma dívida social!

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Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, muito ainda precisa ser feito para ampliar a participação das pessoas com deficiência na sociedade. Com o estabelecimento da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/15), também conhecida por Estatuto da Pessoa com Deficiência, governos e empresas precisarão se empenhar ainda mais para contribuir com o processo de inclusão desses cidadãos.

No ensejo, é importante esclarecer que não se trata de uma faculdade ou mera opção, senão de um dever já existente, ora reforçado pela lei em questão. A par do louvável esforço do legislador, sabe-se que os avanços mais significativos acontecem quando a mentalidade da sociedade se transforma. Assim, para que a expressões como "bem de todos" e “inclusão social” sejam realmente incorporadas ao pensamento coletivo, é indispensável investir em informação e comunicação especializadas.

A experiência que venho acumulando como presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas com Deficiência me colocou em conexão com entidades de atenção a pessoa com deficiência e muito organicamente apareciam as graves lacunas de quem vivencia o problema da falta de acessibilidade.

Entre as queixas recorrentes, estão: inexistência de diagnóstico e intervenção precoce, falta de inclusão da escola, negativas de integração por parte de escolas privadas a pessoas com deficiência intelectual, falta de acessibilidade comunicacional, subempregos oferecidos para preencher apenas as cotas, sistema de saúde precário, com insuficiência de atendimento de reabilitação para todos em nosso estado, transporte coletivo problemático e indiferente às necessidades urgentes, entre muitos outros.

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Como ampliar as políticas públicas para pessoas com deficiência em nosso Estado? Esse objetivo virou minha meta, meu desafio. Empaticamente, me fiz uma ferramenta em prol dessa luta. E afirmo que essa caminhada me deu um novo sentido, fez-me sentir útil como politica e cidadã. Minha vida ficou mais feliz ao perceber que poderia ser uma ferramenta que colaborasse com a construção de um Pernambuco verdadeiramente inclusivo.

É preciso que a inclusão seja um processo bilateral. Sociedade civil e governos precisam fazer a sua parte. A acessibilidade, antes de arquitetônica, tem de ser atitudinal. As barreiras e paradigmas precisam ser derrubados em prol de uma sociedade inclusiva e justa. E essa plataforma está aqui com esse objetivo, para ser mais uma célula neste processo. Para que juntos, falemos de como tornar o nosso Pernambuco Inclusivo.

Abraço a todos,
Terezinha Nunes